15 de mar de 2011

A maior batalha de nossas vidas: Contra os cavalos-selvagens


Roberto Lourenço
@lourenco_rob


Talvez você não me conheça e não conheça ‘minhas’ idéias. Isso não importa. O que você pensa sobre os outros, sobre mim, sobre as coisas, não interessa já que esses pensamentos não são você. Você é outra coisa bem mais além. E pro seu azar, você tem pensamentos que dizem que você É seus pensamentos. Que tragédia!

Mas eu não estou falando com seus pensamentos, seus credos e dogmas agora. Estou falando com você de verdade. Provavelmente um ‘você’ que está sozinho há tempos pois você só deposita atenção a seus pensamentos porque acha que eles são você. Você acha que não entendeu. Mas você entendeu e por mais que seus pensamentos digam que não faz sentido, você sabe que faz sentido. E eu vou continuar.

Uma criança recém nascida pensa no quê?

Eu não me lembro de quando eu fui um recém nascido. Mas acredito que uma criança assim não tenha pensamentos. Porque não foi lhe ensinado nada. Ninguém nunca lhe disse no que acreditar. No que é ‘certo’, no que é ‘errado’. Em outras palavras ela apenas ‘vive’. E vive de verdade. Vive no presente. Você já notou que sua cabeça está sempre com a atenção no passado ou no futuro? Isso é realmente viver?

Ok. Vamos além. A criança imediatamente começa a ter contato com o mundo e inevitavelmente aprende coisas. Nome das coisas, desenvolve alguma estrutura de linguagem, ‘isso é feio’, ‘você deve gostar disso’, etc. Me esqueci de mencionar: claro que é alguém que ensina todas essas e mais outras coisas para a criança. E se ela tiver sorte de estar em boa companhia ela terá ‘boas crenças’ e será amada! Sorte!

ilustração Ana Kraš


Mas ‘boas crenças’ não significam viver. ‘Boas crenças’ significam viver apoiado em algum pensamento que nos foi ‘ensinado’. E não é bem aquele ensinamento em que o aluno clama pela lição. É um ensinamento, de certa forma, que nos é imposto goela abaixo.

E nós absorvemos o que nos ensinam. E, você bem sabe, às vezes nos ensinam até quem nós somos! Mas isso é só 50% do absurdo. Os outros 50 é que nós acabamos acreditando nisso. Acreditando nos ‘nossos’ pensamentos. Que agora você já sabe. Não são exatamente nossos.

O lado negativo de toda essa história é quando temos pensamentos ruins. Que nos levam pra onde eles quiserem (normalmente pro fundo do poço). Em outras palavras, nossos pensamentos são como cavalos selvagens, que correm para onde querem nos campos verdejantes de nossa mente. Alguns correm tão rápido, são tão fortes que nós acabamos pensando que somos o próprio cavalo! Ora, somos em verdade, o responsável por cuidar de tal haras. Domesticando os cavalos selvagens, mandando embora os animais de sangue ruim e alimentando e cuidando dos potros bons que podem nos levar a bons destinos quando estiverem crescidos e fortes.

Cuidado para não levar coices agora. Esse papo não agrada aos animais selvagens. Por acaso tu está ouvindo? Agora mesmo dentro da tua cabeça. Eles estão furiosos! E eles são tantos! Desgovernados! Ah, que batalha!

É você contra a tropa inteira. E eu acredito em você. Em você, não nos seus pensamentos.

Bom, eu vou indo pois tenho muito trabalho a fazer. E você também, vá cuidar de seus cavalos!
Abraços!


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