24 de mar de 2011

Maquiné

ramiro simch

Éramos nós, naquela casinha simples, no meio do nada. Éramos nós, tocando violão, cozinhando qualquer coisa no fogão a lenha. Éramos nós, ali, apenas jovens loucos, cantando músicas que já não frequentam modismos há tempos.
Esquecer. Esse era o objetivo daquelas noites e daqueles dias: poder viver sem prender-se à vida. Esquecer da rotina, e (como não?) lembrar da retina. Sim! Mimá-la com agrados belíssimos, como o brilho do fogo no breu, e a luz do sol aninhada no topo da cachoeira.
Ainda hoje, vez em quando, avistamos um ou outro conviva daquela feita. Sem dúvida estão agora um pouco mais oprimidos, comprimidos nos logradouros dessa cidade cinza. Passamos por eles, negociamos olhares, cumprimentos rápidos talvez. Nada além.
Mesmo assim, saber que uma vez compartilhamos daquilo com aquelas pessoas é especial. E a noção de imensidão se torna cada vez mais simples. A alegria e a melancolia crescem juntas. É surreal, por ser tão real.
Éramos nós, mas... Ainda somos. Há esperança.

18 de mar de 2011

A História - parte ?


    ramiro simch
        - alguns fatos do futuro estão mapeados. infelizmente vejo que provavelmente acontecerão. e não são surpresas, na verdade. são opções.
          - opções de vida. abrem muitas possibilidades, mas excluem outras. sorry.
            - (e mapear o futuro não é muito legal. ainda mais se os fatos são finais.)


          RI AGORA CHORA DEPOISSSSSSSSSSSSSSSSS


          - esses fatos do futuro não acontecem agora por 1) comodidade 2) covardia 3) não sei.


          15 de mar de 2011

          A maior batalha de nossas vidas: Contra os cavalos-selvagens


          Roberto Lourenço
          @lourenco_rob


          Talvez você não me conheça e não conheça ‘minhas’ idéias. Isso não importa. O que você pensa sobre os outros, sobre mim, sobre as coisas, não interessa já que esses pensamentos não são você. Você é outra coisa bem mais além. E pro seu azar, você tem pensamentos que dizem que você É seus pensamentos. Que tragédia!

          Mas eu não estou falando com seus pensamentos, seus credos e dogmas agora. Estou falando com você de verdade. Provavelmente um ‘você’ que está sozinho há tempos pois você só deposita atenção a seus pensamentos porque acha que eles são você. Você acha que não entendeu. Mas você entendeu e por mais que seus pensamentos digam que não faz sentido, você sabe que faz sentido. E eu vou continuar.

          Uma criança recém nascida pensa no quê?

          Eu não me lembro de quando eu fui um recém nascido. Mas acredito que uma criança assim não tenha pensamentos. Porque não foi lhe ensinado nada. Ninguém nunca lhe disse no que acreditar. No que é ‘certo’, no que é ‘errado’. Em outras palavras ela apenas ‘vive’. E vive de verdade. Vive no presente. Você já notou que sua cabeça está sempre com a atenção no passado ou no futuro? Isso é realmente viver?

          Ok. Vamos além. A criança imediatamente começa a ter contato com o mundo e inevitavelmente aprende coisas. Nome das coisas, desenvolve alguma estrutura de linguagem, ‘isso é feio’, ‘você deve gostar disso’, etc. Me esqueci de mencionar: claro que é alguém que ensina todas essas e mais outras coisas para a criança. E se ela tiver sorte de estar em boa companhia ela terá ‘boas crenças’ e será amada! Sorte!

          ilustração Ana Kraš


          Mas ‘boas crenças’ não significam viver. ‘Boas crenças’ significam viver apoiado em algum pensamento que nos foi ‘ensinado’. E não é bem aquele ensinamento em que o aluno clama pela lição. É um ensinamento, de certa forma, que nos é imposto goela abaixo.

          E nós absorvemos o que nos ensinam. E, você bem sabe, às vezes nos ensinam até quem nós somos! Mas isso é só 50% do absurdo. Os outros 50 é que nós acabamos acreditando nisso. Acreditando nos ‘nossos’ pensamentos. Que agora você já sabe. Não são exatamente nossos.

          O lado negativo de toda essa história é quando temos pensamentos ruins. Que nos levam pra onde eles quiserem (normalmente pro fundo do poço). Em outras palavras, nossos pensamentos são como cavalos selvagens, que correm para onde querem nos campos verdejantes de nossa mente. Alguns correm tão rápido, são tão fortes que nós acabamos pensando que somos o próprio cavalo! Ora, somos em verdade, o responsável por cuidar de tal haras. Domesticando os cavalos selvagens, mandando embora os animais de sangue ruim e alimentando e cuidando dos potros bons que podem nos levar a bons destinos quando estiverem crescidos e fortes.

          Cuidado para não levar coices agora. Esse papo não agrada aos animais selvagens. Por acaso tu está ouvindo? Agora mesmo dentro da tua cabeça. Eles estão furiosos! E eles são tantos! Desgovernados! Ah, que batalha!

          É você contra a tropa inteira. E eu acredito em você. Em você, não nos seus pensamentos.

          Bom, eu vou indo pois tenho muito trabalho a fazer. E você também, vá cuidar de seus cavalos!
          Abraços!


          13 de mar de 2011

          O Empalhador de Zebras - capítulo III

          Ana Elizabeth S. de Azevedo
          @anabebeth


          "Helena Albuquerque, que inventaste agora? Quando vais voltar pra casa, guria?" As palavras rotineiras de meu avô nas vezes que eu saía a viajar por aí fazem falta nesses dias quentes na aldeia africana de Makineh. Sempre tão preocupado e sem paciência para as minhas aventuras, creio que se estivesse vivo hoje gostaria de saber que estou aqui por causa de seus animais tão amados.

              Estou instalada numa cabana afastada da aldeia que minha amiga Kenya fez questão de me "emprestar" por algum tempo. É meio óbvio que não me cobre aluguel, pois a cabana realmente não está em condições básicas para se viver. Mas para tudo dá-se um jeito. Tenho somente três vizinhos. Um casal idoso que juntos devem pesar menos que eu, porém com um coração e esperança maiores que o mundo. E Aynek, amigo do marido de Kenya, Osahon, alguém que ainda não sei se posso confiar. 

              Sinto falta do meu avô e do conforto no sul, ainda mais com as coisas andando de um jeito bem inesperado aqui no Congo. Descobri que o tal médico austríaco se chama Matsambackers e só. Ao que parece ele é uma pessoa bem difícil de se encontrar. Tenho tentado alguma coisa com Moïse, mas quando ele entendeu meu interesse de descobrir o paradeiro do dito cujo, se afastou repentinamente. 
              Desse modo tenho passado meus dias quentes na África tentando escapar do sol forte e consertar a minha pequena cabana em Makineh. Kenya está sempre muito ocupada e há pouco descobriu que está grávida. Birrenta como sempre, desatou-se a falar sobre como não deveria colocar mais uma criança em solo africano, devido à óbvia situação. Porém, ao mesmo tempo é delicioso ver seus olhos brilhando ao falar do bebê que está por vir.
              As zebras continuam a desaparecer e ouvi dizer que até os filhotes estão sumindo. Dói fundo essa sensação de impotência. O que acalma minha alma nesses dias últimos tempos é o pôr-do-sol que tenho a sorte de apreciar todo final de tarde em frente à cabana, que me lembra o de Porto Alegre. Mas, ver o sol se pôr aqui é realmente indizível, sem igual. O momento favorito do dia, enquanto me sinto mais leve e a esperança parece renascer um pouco enquanto o sol se deita lá no horizonte.

          12 de mar de 2011

          Descobertas na FABICO

          Descobri que a FABICO não é feita apenas de exímios jogadores de sinuca. Também possui uma galera com muita criatividade e competência.
          Aqui vai um bom exemplo: