28 de mai de 2012

Vitrola

@pv_lopes

Hoje eu lia uma dessas revistas que indicam aquelas bandas que ninguém conhece mas todo mundo devia. Falava sobre os músicos, comparava com outros, dava nota. 
Dediquei um tempo para ouvir alguns presentes na lista.

O primeiro foi Curumim, músico paulistano que acaba de lançar o seu terceiro disco: Arrocha. O cara já tocou com Trio Mocotó, Criolo, Céu e mais um baita time da música brasileira; foi considerado pelo The New York Times, o mestre do funk brasileiro. 

Segue uma amostra do som de Curumim:



Outra audição que merece destaque é Aíla Magalhães, paraense que mistura sons caribenhos e o pop produzido por aqui. O seu primeiro disco, Trelêlê, foi lançado há pouco, merece destaque.

26 de mai de 2012

À espera da partida


Gabriela Goularte
@gabegou

Chegou muito cedo ou muito tarde. O certo é que teria que esperar. 
Vinha esperando há tempos, ansiando pela chegada e a subsequente partida. Até pensou em procurar outros caminhos, mais felizes, mais longos. Mas decidiu ficar ali, naquela estação, à espera. 

O tremor dos trilhos antecipou o que vinha. Não abanou a mão, em adeus; só tinha aquele tremor nas pernas, a cada passo próximo. Adiantou-se em direção ao trem e entrou, num salto. Um salto profundo, de encontro às ferragens, de cara no chão, carregado adiante por uma força insuperável, sensível e precisa: a morte. Agora, ao fim da espera, partia em direção à luz no fim do túnel.

21 de mai de 2012

The Down of Hope

@pv_lopes

É impressionante a habilidade  de criação a partir da areia. 
Vale a pena ver este e mais vídeos da russa Kseniya Simonova.


18 de mai de 2012

A pé


Juliana Moreira
@jubii_

Caía sobre nós uma chuva gentil, e já não sentíamos nenhum medo. Decidimos descer a pé a longa avenida até a nossa casa. Por volta da meia-noite, andávamos pela metade do caminho.

Compreendemos então que apenas éramos na metade do caminho.

E jamais chegamos em casa.

14 de mai de 2012

Flor honesta

@pv_lopes


Eu quero uma camiseta do Serge Gainsbourg.
Eu quero uma Brigitte Bardot de calcinha no sofá.

Eu quero o rompimento do tradicional. A reinvenção do que existe.
A flor honesta na garrafa transparente. O mistério fervoroso do amor.

O olhar que antecede o cumprimento. O seu brilho é melhor do que a palavra dita. A sua curiosidade é pura, a palavra só quer impressionar.

11 de mai de 2012

Luz

@anabebeth

Aquele momento, hoje repleto de escuridão
Alumia
Aquela árvore em que nos encostamos no alto do morro
Alumia
O banco que ficava ao pé da árvore
Alumia
O horizonte pleno que fitávamos ao longe
Alumia
A nuvem e a noite que nos encobria
Alumia
A lembrança praticamente esquecida no fundo do porão
Alumia
Abro os olhos e sinto a brisa, quem diria
É a lua
Que alumia

10 de mai de 2012

Desabafo


Hoje tive a prova de que muitos caras que não nasceram em berço de ouro simplesmente creem que a realidade em que vivem (e que nós vivemos de forma geral), a desigualdade que torna a vida de uns tão diferente da de outros é a realidade à qual foram destinados.

E já ouvi de algumas pessoas comentários do tipo "isso não vai mudar, sempre foi assim e sempre vai ser".
Claro, nada muda de uma hora pra outra mas algumas coisas que afligiam essas pessoas hoje já foram amenizadas, afinal, como mesmo tu comprou esse celular touch screen? Não foi no governo do FHC ou da Yeda.

Mas voltando: além de muitos não crerem em uma luz no fim do túnel, sentem-se prejudicados, por exemplo, por uma passeata de sindicato acabar trancando o trânsito. De certa forma é chato, mas se formos pensar, é com atitudes como essa - que alguns grupos tomam - que consegue-se pressionar o governo para melhorias nas condições trabalhistas. Certamente seu salário não vai aumentar do nada, ou sua carga horária diminuir.

Nesse contexto (que aconteceu hoje, mas que sempre se repete) vi um cara de estilo rapper criticar a passeata: "Trabalhei o dia todo e na hora em que todo mundo tá voltando pra casa esses caras vêm fazer passeata, são muito vagabundos, em vez de trabalhar! Tinham que ser despedidos mesmo!". Esse discurso é inválido quando a pessoa que o manifesta é prejudicada também pelo próprio discurso. É só pensar: se os sindicalistas fizessem a passeata de madrugada, como já ouvi um cobrador de ônibus sugerir, de que adiantaria? Trancar o trânsito, prejudicar o funcionamento da cidade para chamar atenção do governo para sua causa é fundamental e, como já disse, essa causa só traz benefícios para os trabalhadores, inclusive para o cara que falou isso.

Além disso, esse discurso hipócrita do sujeito - acredito que ele seja do movimento hip hop, um movimento que luta por mudança e por igualdade social - me soa meio fora da realidade. A única coisa que me faz crer que ele possa gostar de rap mas ao mesmo tempo tenha um discurso reacionário (contra a revolução, a mudança) é a possibilidade desse sujeito "sofrer gravemente" de ignorância.

Não dá pra baixar a cabeça e aceitar injustiça, é preciso muita luta pra tudo mudar. Não permitamos que sacanas e aproveitadores caguem na nossa cabeça. Não dá pra se contentar até que seja contentável.

Pronto, desabafei.


Sandrinha


Que vadia. Me trocou por um heroizinho. Eu sei que o cara é foda. Não é a minha praia, mas eu apóio o cara. Mas ela é vadia. Putz. Já to criticando o cara, nem queria. O cara vale mais que eu. Ela que não vale nada. Agora é moda dar pro cara? O cara merece pegar mulher, eu sei. Mas ela não precisava fazer assim. Baita puta. Não é que seja puta, mas olha isso. Só porque é comigo? Cala a boca.






8 de mai de 2012

Papel do ensino

@pv_lopes

Certas disciplinas nos fazem repensar o papel do ensino superior. É de extrema importância para o desenvolvimento de um país que o seus habitantes tenham elevado capital intelectual e para isso muitos realizam esforços gigantescos e ingressam na Universidade. Crentes na promessa do desenvolvimento humano, da capacidade crítica que é oferecida pelas instituições, ingressam e, enquanto orgulham a família, sentem-se vazios, furtados.

Aulas cronometradas e transcrições para o powerpoint não fazem mais sentido. É preciso envolvimento com o ensino. É necessário desejar que o conhecimento siga em frente.

Assim como Agnaldo Farias, em sua apresentação no TEDx USP. 


4 de mai de 2012

Moisés, o mago




Ele abriu o mar com as mãos. Nuas. Enrugadas. Trêmulas. Os dedos nodosos tremiam cadenciadamente. Seus olhos reviravam para o interior do crânio, mergulhando na escuridão interna.

As águas turvas tornaram-se revoltosas. Lutavam contra si mesmas, contra a ordem natural. Torciam, giravam, ondulavam em cruciantes redemoinhos. A imensidão cerúlea, como um espelho salpicado de nuvens ― meros reflexos do firmamento ―, perdia o controle.

Antes inexoráveis, as ondas turbilhonavam às ordens taciturnas do homem sagrado. De cima de uma grande pedra, promontório de tantos sacrifícios, firmou suas palavras sob as águas daquele que carrega as três pontas. Ele agora as comandava.

Perplexas, cabeças olhavam admiradas. Incrédulas à força desumana, talvez ousada, comparável só então à de Deus, que aquele homem tinha. Nem todos os terremotos enviados para punir os pecadores seriam capazes de causar tal cataclismo. Em frente aos olhos brilhantes o mar se dividiu em dois. Um caminho de ida ladeado por falésias molhadas. Peixes seriam as únicas testemunhas dos escolhidos para enveredar os pés por terra lamacenta.

E assim, partiram.

Audacioso Moisés com seus poderes mágicos, capaz de impressionar olhos humanos, mas não de ludibriar aqueles que nunca morrem.

O mago não pensou que sua ofensa seria percebida aos olhos do senhor das águas, pai das ondas. Poseidon dos olhos coralíneos não aceitaria tais agressões. Os que desonram sua casa e sobrepujam seus poderes devem ser punidos. Severo é o fim para aqueles que desafiam o filho do Titã.

Apoio não faltou. Sua esposa, das curvas sinuosas como o curso dos rios, jurou morte àquele que adentrava a pé a morada divina. Tétis, viajante das ondas espumosas, também estava lá. Ainda chorava lagos pelo filho que expirou na cidade de altos muros. A mãe que perdeu o filho, porém, sabia que a tristeza da morte dilacera a alma e enfraquece o coração. Teve pena do atrevido Moisés e suplicou por sua vida.

A Ira do domador da rebentação abrandou-se nas lágrimas da nereida. Prometeu que com a morte não juraria o mago. Contudo, severa punição não lhe escaparia o destino. E assim que deixou os paredões de água marinha, encontrou um largo deserto.

O imperador das profundezas escuras jurou-lhe quarenta anos perambulando pelas ondas de areia. Jamais encontraria o caminho de casa antes que todos os dias queimassem. Nas areias quentes, fulguradas pelos braços do astro brilhante, os pés de seus companheiros tornaram-se rubros, ardentes. Pele encolheu seca, quebradiça.

Água lhes faltava. Água não teriam.

Culpado por Podeidon, senhor do mar, Moisés com os olhos enevoados pelo poder do imortal andaria em círculos, longe das águas que uma vez ousou controlar. Na secura do deserto não há sinal de oceano. Os poderes do mago, no calor intenso, provaram-se inúteis por longos quarenta anos.


Gostou? Comenta aqui no blog e já aproveita para dar as boas vindas ao Gustavo, novo colaborador do blog.

3 de mai de 2012

Hipererro





"Barômetro" lembra Turma da Mônica.

"Fromage" lembra O Laboratório de Dexter.

"Kart" lembra Nintendo 64.

"HTTP 404" me lembra tu.