26 de mai de 2012

À espera da partida


Gabriela Goularte
@gabegou

Chegou muito cedo ou muito tarde. O certo é que teria que esperar. 
Vinha esperando há tempos, ansiando pela chegada e a subsequente partida. Até pensou em procurar outros caminhos, mais felizes, mais longos. Mas decidiu ficar ali, naquela estação, à espera. 

O tremor dos trilhos antecipou o que vinha. Não abanou a mão, em adeus; só tinha aquele tremor nas pernas, a cada passo próximo. Adiantou-se em direção ao trem e entrou, num salto. Um salto profundo, de encontro às ferragens, de cara no chão, carregado adiante por uma força insuperável, sensível e precisa: a morte. Agora, ao fim da espera, partia em direção à luz no fim do túnel.

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