16 de mar de 2012

Preto nanquim


Então eu vou te contar, e tava na net tá, para um pouco que eu tô contando...Aí, eis que surge de dentro daquela vitrine virtual que era aquela rosca rosa, um olhar tão meigo e humilde quanto sedutor e lascivo. Me pegou de cara. Cê me entende? De uma aparente noite de descarte de esperma a descoberta da paixão platônica mais arrebatadora da minha pré-adolescência maldita, e puta vida, como eu era imbecil.

Gatíssima, aquilo é a tigresa da minha selva. Cara, tem tudo pra ser a garota mais linda que aquela cidade há de produzir. Um pouco baixinha e falta carne, mas porra, tu sabe que é desse jeito que eu curto. Cabelo escuro, pretão, feito nanquim. E um rostinho, bá, cara. Duas covinhas que fazem a terra sorrir junto quando ela sorri e...Tá, foi mal, essa última parte tá um tanto piegas, mas só quis te dar uma ideia. Falei até, mas há muito tempo atrás, eu era garotinho juvenil e falei muita merda. Sei lá, vai ver a mina tem até medo de mim, hoje. Tá, então, te segura que aí vem o detalhe mais foda...Porra, põe foda nisso. Cara, é genial. Se Deus existe, é a prova de que ele tem um senso de humor muito doente: a guria é lésbica! Tô te falando! Absolutamente, irredutivelmente, resolutamente, concretamente e inexoravelmente lésbica. Cara, isso é um soco direto nas bolas! Um paradoxo tão inescrupuloso quanto a própria natureza humana! Um motim contra o curso natural dos fluidos genitais. Cara, isso é pura poesia. Elegi ela a minha musa eterna. É muito engraçado, eu começo a falar dela e me empolgo assim, viu? 

Essa que é a beleza, taí a vida dessa parada: eu sou do tipo de homem que se deixa apaixonar no ônibus. Se isso faz alguma diferença na minha vida? Provavelmente nenhuma. Mas essa sensação, tão perto e tão longe, o intocável, a peça de museu cara demais para ter na minha sala, mas tangível o bastante pra que eu possa vê-la lá. Esse é o tipo de abstração que move a humanidade, saca? A lésbica de ouro, modelo único, feita à mão.
Chega de papo e me serve um copo, bro. 

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