20 de abr de 2011

DECLARAÇÃO DA IGNORÂNCIA UNIVERSAL

Ramiro Simch
@miroez

NÓS NÃO SABEMOS NADA.

Pense em tudo o que você supostamente sabe sobre Geografia. Agora conjure seus conhecimentos em Enfermagem. Agregue aí também aquilo que você entende de Filosofia, Bebidas Fermentadas, Música, Linguística, Comunicação e Gíria Carioca. Enfim, imagine um ajuntamento de todo o conteúdo qualificado residente em seu cérebro.

Isto tudo NÃO É NADA. Ok, é alguma coisa, mas (como também entendemos de Matemática heha) aqui usaremos arredondamentos. Em termos práticos, VOCÊ NÃO SABE NADA.

Com a consciência da amplidão de todo o saber humano já produzido (amplidão que você nem pode estipular – apenas sonhar com ela), se torna ululante que o que qualquer e todo indivíduo no planeta sabe não chega nem medianamente perto de tudo, seja por causas temporais1; infra-estruturais e espaciais2; sociais3; e biológicas, já que é provável que nosso almoxarifado mental não tenha espaço pra tanto. Só não afirmo isso porque pouco sei de Neurociência e tal.

NÓS SOMOS IGNORANTES. Imagina então se acrescermos nessa conta a(s) sabedoria(s) do(s) povo(s). Cada um de nós DESCONHECE praticamente toda a matéria intelectual, ACADÊMICA OU POPULAR, que há. Cada pessoa sempre IGNORARÁ a aterradora maioria do grande plasma de conhecimento que flutua sobre nossa dimensão, mesmo porque esse plasma está em constante expansão, minuto a minuto.

Depois de parágrafos repetindo a mesma coisa, eu devia dizer algo produtivo. Só que não tenho muito mais pra falar. Até aqui, esse texto vem parecendo pessimista – mesmo que minha intenção fosse a neutralidade, a pura constatação de uma verdade absoluta.


“SEÇÃO OTIMISTA” – ou um pouco de apaziguamento

Tudo dito anteriormente é real, e no horizonte ainda não há vislumbre de que deixará de ser. Mas não faz mal. Se o TAMANHO da Parcela de Saber do ser humano mais inteligente difere apenas infimamente da que possui o homem mais ignorante,  o que realmente importa é a NATUREZA de cada uma dessas Parcelas. Simplesmente existem conhecimentos melhores que outros.

Nunca quis fazer uma declaração apocalíptica a ser usada pra acabar com os delírios de grandeza do seu coleguinha sabichão (embora esse seja um bom uso do texto – eu apoio heha). Não devemos, e nem precisamos, nos apavorar com a sensação de insignificância no meio do oceano intelectual. Devemos, ao invés, pensar na melhor forma de nadarmos nesse oceano. Não temos que tentar escolher diretamente áreas dele como foco da nossa atenção, mas escolher trajetos que, por sua vez, nos levarão às zonas possivelmente influentes de fato na nossa vida e nas nossas ideias.

Na verdade, esquecer que esse mesmo oceano imensurável e inalcançável foi constituído gota a gota por pessoas como nós é que é ignorância. Somos uma espécie social e comunitária, e, por conseguinte nosso saber também. Não importa o quanto o individualismo constituído contemporâneo negue isso.

Me corrijo: VOCÊ não sabe de nada. EU não sei de nada. NÓS SABEMOS DE TUDO. Segue o baile.


P.S. Dos poucos que lerão isso, não espero que todos entendam o que eu quis dizer. Meu ponto de vista é específico, e nem eu sei se fui claro. Já tentei escrever esse negócio tantas vezes que não importa muito mais.

P.P.S. Ainda não sei se esse texto é válido ou se o assunto é irrisório demais. Mas, pensando bem, quanto mais irrisório, mais válido.

P.P.P.S. Anyway, um pouco menos de arrogância sempre é interessante.


#heha



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1 Nós vivemos por muito pouco tempo. Vivemos intelectualmente por menos tempo ainda.
2 Como você vai conseguir levar pra casa a biblioteca de um templo do Tibet? Mesmo se pudesse, ela não caberia na sua sala.
3 Sério, ninguém vai esquecer as cervejas de sábado por toda a vida pra estudar mais a fundo as tribos esquimós existentes no século XVII... Hm, você vai? Sorry.



4 comentários:

  1. É realmente assustador pensar que não sabemos praticamente nada.
    Apenas discordo no seguinte ponto: "Cada um de nós DESCONHECE praticamente toda a matéria intelectual, ACADÊMICA OU POPULAR, que há", pois conhecemos alguém que comprova o contrário (qual é a capital da Líbia mesmo? heha).

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  2. hahahaha
    sim, ele sabe tudo. ele é uma exceção

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